Estilos filhos do "blues"

autor: Junior da Violla

 A emergência do rhythm and blues
 
     O pós guerra viu surgir em New Orleans um estilo de blues profundamente original, fazendo empréstimos de múltiplas tradições dessa cidade, ás quais é preciso adcionar a influência californiana e das orquestras de Kansas City e também o surgimento de novos estúdios de gravação de qualidade. Este estilo de New Orleans se caracteriza  pela predominância de peças rápidas saídas do boogie-woogie e de baladas sentimentais, com um mínimo de blues lento. Se conforme a rica tradição da cidade nesse campo, o piano continuou  a ser em geral o instrumento dominante, se apoiando em uma linha dupla de baixos criada pela guitarra elétrica e do contrabaixo, assim como uma importante linha de metais onde frequentemente emergiam solistas. Assistiu-se igualmente a uma extensa utilização de formas rítmicas tomadas de empréstimo á tradição local ( rumba, cajun, calipso, dixeland ), que não eram encontradas em nenhum outro lugar. Adcionamos á mistura a potência vocal de cantores que deviam dominar a orquestra e cantar seu blues de forma desenfreada, cheia de bom humor, animação, de alegria de viver, que contrasta em muito o blues de Mississipi ou de Chicago. O termo rhythm and blues substituiu o termo race records das prateleiras das lojas de discos e é praticamente o rock'n roll só que cantado por negros, antes de ser interpretada por artistas brancos como Elvis Presley, na verdade eram a mesma música, o rhythm and blues interpretado por negros e o rock 'n roll interpretado pelos brancos. Os grandes nomes desse estilo são Fats Domino, Big Joe Turner, Little Richards.

 


O rock 'n roll
 
     A explosão do rhythm and blues negro fez com que os artistas brancos também se dedicasse ao gênero pois era notória a audiência branca nas rádios que se dedicavam ao rhythm and blues. Brancos tocando música negra é algo que acontecia desde sempre, a primeira partitura impressa de blues de 1913, o famoso St. Louis Blues foi editada por um branco, W. C. Handy. Nos anos 30 várias orquestras de jazz brancas também tocavam temas criados por negros. Se o blues  mais étnico era incompreensível para os brancos do norte, suas formas  mais sofisticadas foram objetos de adaptações  de artistas brancos que buscavam ali o essencial de sua inspiração. As hit parades eram formadas em duas sessões: o rhythm and blues aonde figuravam artistas negros e o popular aonde apareciam os brancos.
     A influência do blues foi determinante na música branca do sul. A country music, considerada a expressão branca da música sulista foi desde sua origem inspirada no blues. Os músicos da country music tomaram empréstimo constante á música negra para fazer evoluir sua arte em formas sucessivas, entre as quais o rockabilly, antes de fundir-se no rock 'n roll, sendo esta uma das últimas e mais significativas. Para atrair os adolescentes brancos que se sentiam atraídos pelo blues eletrificado boa parte dos músicos country passaram a eletrificar seus instrumentos e acelerar suas peças tomando cada vez mais empréstimos do boogie woogie e do rhythm and blues. Muitos jovens brancos atraídos pela música negra, na forma de cantar se contorcendo no palco, nos falsetes e nos trejeitos, causaram imensa inquietação na sociedade branca da época que tentava a todo custo banir este tipo de música das rádios. Com o problema racial existente e ainda latente á época a solução encontrada foi nomear a música feita pelos brancos como um novo gênero musical. Surgia o rock 'n roll nas mãos de nomes como Bill Halley and his Comets e Elvis Presley. Mesmo assim isso não freou a crescente popularidades dos artistas negros de rhythm and blues. E pela primeira vez, igualmente, uma música do sul, o rock 'n roll ( branco e negro ) tornava-se popular entre brancos do norte. Daí para dominar a América e chegar á Europa foi um pulo que já em 1957, 58 começava a sentir os efeitos do novo gênero com o blues a tiracolo.

.

O sucesso deste projeto só se dá graças ao empodeiramento feito pela iniciativa Pulsar da Curadoria Social