O blues de hoje

autor: Junior da Violla

O blues hoje
 
     A partir da entrada dos músicos ingleses no blues e com a invasão britânica no mercado americano e por tabela, no mercado fonográfico mundial, o blues ganhou uma projeção jamais vista. Podemos encontrar o blues em todos os lugares do mundo e ano a ano novos talentos do instrumento aparecem. Tivemos gigantescas excursões mundiais de nomes como B. B. King. Buddy Guy e Eric Clapton. Depois dos anos 60 vimos grandes bandas e artistas de blues surgirem como o texano Steve Ray Vaughan, Considerado talvez o maior nome do blues depois dos anos 60 que faleceu em um acidente de helicóptero em 1990 ou o jovem Kenny Whayne Shepherd que brilhou no final dos anos 90 e ainda está em atividade. Ainda se cultua o blues rural do delta e há vários nomes que podemos citar como Toby Walker ou Stovepipe Daddy. O youtube tem sido uma ferramenta muito eficaz pois podemos conhecer nomes do blues de diversas regiões dos EUA assim como rever antigos clássicos de nomes do passado ja muito distante, gravações dos anos 20 e 30, a qual não tínhamos acesso há 15 anos atrás.
 
 
CONCLUSÃO
 
     Universalmente aceito e reconhecido em toda parte como uma fonte maior de influência da música popular contemporânea, ativando novas vocações no mundo inteiro, o blues deixou de ser verdadeiramente popular entre o povo negro americano que o criou.
     Esse paradoxo, entretanto, só é surpreendente na aparência. De fato, como acreditamos ter demonstrado, o blues foi antes de mais nada a expressão artística principal dos negros americanos durante uma fase de sua história: a que vai  do fim da escravidão á emancipação no seio da sociedade americana.
     Rejeitados, humilhados, desprezados, desvalorizados e as vezes fisicamente perseguidos, os negros, iletrados e ainda por cima sem passado histórico visível ao qual se ligar, exprimiram-se de forma completa pelo blues, que foi sem dúvida o último gênero musical que se pode verdadeiramente qualificar de étnico a aparecer no mundo dos homens. A partir do instante em que, por sua coragem e sua força, os negros obtiveram o reconhecimento de sua identidade, fizeram-se respeitar e conquistaram um lugar essencial na sociedade americana, o blues não mais pareceu necessário.
     É claro que o blues ainda existe. Inúmeros músicos negros cresceram em sua companhia a ele sempre se referem de uma forma ou de outra. Mas, para as jovens gerações, o blues é só uma tradição muito difícil de ser conservada e que remete ás horas mais sombrias e menos exaltantes da história de seu país. É infinitamente provável que a geração de músicos de blues nascidos nos anos 30 seja a última a se exprimir integral e originalmente neste idioma. Os que seguem ou seguirão fazem seu aprendizado do blues através de discos e concertos e não mais, felizmente, através da segregação, da miséria e da humilhação. Eles escolhem o blues para exprimir-se entre outras formas musicais, e raramente o praticam com exclusividade. Qualquer que seja o seu futuro, o blues jamais voltará a ser o que foi.
     Mas o blues, pela potência emocional e pela profundidade dos sentimentos que exprime, remete ao essencial da alma humana. Somente os indivíduos e os povos que realmente conheceram um enorme grau de sofrimento são capazes de atingir essa verdade interior que os outros só conseguem entrever.. Se por um lado conseguem superar o rancor e  o desespero, adquirirão cedo ou tarde uma linguagem cuja força moral e emocional conseguirá fazer vibrar essa trama fundamental de sangue, suor, lágrimas, desejos e frustrações que esta em todo ser humano.
     O blues é uma dessas linguagens. Ele esta impregnado do longo calvário do povo negro em terra branca e se suas blue notes e seus 12 compassos ressoam até hoje em dia em todos os lugares do mundo, é porque a mensagem desse doloroso itinerário foi ao menos parcialmente ouvida e compreendida..

O sucesso deste projeto só se dá graças ao empodeiramento feito pela iniciativa Pulsar da Curadoria Social