blues de Chicago

autor: Junior da Violla

blues de Chicago
 
     A cidade de Chicago foi durante muito tempo, junto de Nova Iorque, os dois únicos lugares aonde se encontravam estúdios de gravação de boa qualidade técnica, com isso músicos de diversas regiões vinham para a cidade gravar e não raro resolviam ficar de vez. Estes músicos, tanto os que voltavam como os que ficavam rentabilizavam suas viagens se apresentando nos clubes da cidade, ficando as vezes tempo suficiente para influenciar o blues do local. Tudo isso explica a solidez da tradição do blues de Chicago, ao ponto da cidade identificar-se atualmente de forma pouco abusiva com a noção de blues. Essa abertura permanente explica também a constante evolução que esse gênero conheceu ali. Só no período entre guerras podemos distinguir pelo menos dois estilos de blues que viveram em paralelo mas se influenciando mutualmente.
     O blues neo-clássico é marcado por um estilo leve, sofisticado e amplamente influênciado pela música popular da época e os espetáculos de vaueville. O público negro de Chicago abandonou de forma bem rápida esse blues neo clássico em favor de um novo estilo de música mais próxima da tradição do blues do sul, mas retendo  um forte toque urbano, marcado pela presença de uma seção rítmica, geralmente bateria e contrabaixo, devolvendo o papel de primeiro plano ao piano e com as improvisações dos solistas mais próximas do jazz. A este blues denominou-se de bluebirds blues. São nomes dessa corrente os bluesmen Washboard Sam, Big Bill Broonzy, Jazz Gillum, John Lee Sonny Boy Williamson, Big Maceo.
     A Segunda Guerra Mundial colocou negros e brancos lado a lado nas batalhas. Isso fez com que ao final do conflito os negros do sul não aceitasse voltar ás velhas condições de submissão social, segregação e racismo. Isso criou uma nova leva de negros rumo ao norte. Foi a partir dessa época, 1945 que a guitarra elétrica se tornou quase regra geral no blues, apesar que desde meados da década de 30 ja havíamos gravações de blues com guitarras elétricas. O advento da eletrificação permitiu aos artistas uma multiplicação de efeitos e sonoridades jamais vistas até então tornando as possibilidades do novo instrumento quase infinitas. A guitarra aos poucos relegou ao piano o papel de segundo plano. Além da guitarra, a gaita também se impôs como instrumento dominante do blues orquestral. A eletrificação deu ao blues uma segunda juventude. E assim este novo blues do pós-guerra foi captado por uma multidão de pequenos produtores que na mesma proporção criaram marcas registradas das quais algumas se tornaram grandes companhias como os irmãos Chess em Chicago e Sam Phillips ( que em 1954 descobriu Elvis Presley ) em Memphis. São grandes nomes do blues de Chicago do pós guerra B. B. King, Howlin' Wolf, Elmore James, Sonny Boy Williamson II, Junior Parker, Muddy Waters, Little Walter, Willie Dixon, Jimmy Reed, Otis Rush, Magic Sam, Buddy Guy. 

O sucesso deste projeto só se dá graças ao empodeiramento feito pela iniciativa Pulsar da Curadoria Social