New Orleans até Saint Louis

autor: Junior da Violla

 O blues de New Orleans
 
     A música criada em New Orleans quase não apresenta semelhanças com o blues do delta ou do leste. Cidade aberta para para as Caraíbas e o México, a cidade acolheu muitos negros vindo do campo, com suas tradições musicais próprias, mas diluiu-os imediatamente em meio a uma rede de influências diversas: franco-acadiana, espanhola, creola, anglo-saxônica. Por outro lado este grande porto cosmopolita conheceu muito cedo a emergência de uma burguesia negra, opulenta e indulgente, que se reflete bem na tradição jazzistica da cidade. É um grande representantes do blues de New Orleans o músico Lonnie Johnson.
 

 

A eletrificação do blues
 
     Entre as duas grandes guerras mundiais houve uma maciça migração de negros das regiões rurais do sul para as grandes cidades. Essa migração foi bastante acentuada até a grande crise de 1929. Se alguns negros que se instalaram em cidades do norte conseguiram prosperar e ter empregos, a grande maioria só encontrou mais miséria, o amontoamento em guetos e uma outra forma de discriminação, que por ser tanto sócio econômica quanto de cor, não deixava de ser menos aviltante ou destruidora. Mas para esses novos migrantes, demonstrar seu fracasso era perder o prestígio perante aos seus que ficaram no sul. A idéia das grandes cidades do norte prósperas e acolhedoras para o negro se espalhou por todo o sul e Chicago por ser distante, e portanto menos autentificável, adquiriu uma significação mítica de um Éden imaginário. O blues não desapareceu nessa migração mas transformou-se ás novas realidades. Os temas passaram a tratar mais de amor e cada vez menos das condições de vida ou das relações sociais dos negros e para se fazer ouvir em meio aos bares e cabarés com mais gente, o solista passou a ceder vez á um conjunto. A guitarra que ja aspirava á eletrificação ganhou mais volume, primeiramente com violões dotados de ressonadores, como modelos feitos pelas marcas National ou Dobro, depois com o advento da eletrificação. Era a única maneira de se fazer ouvir junto a uma orquestra. Com o acompanhamento de outros instrumentos como bateria, piano e contrabaixo, o agora guitarrista tinha mais liberdade para improvisar solos de extremo virtuosismo técnico, modificando assim a linguagem do instrumento no blues. A forma do guitarrista tocar mudou muito do blues do delta para o blues eletrificado de Chicago, Memphis e Saint Louis.
 

 

O Memphis Blues
 
     O blues de Memphis emergiu entre os anos 20 e 30 e combinava influências do blues do delta com a necessidade de se fazer ouvir por um público não necessariamente atento, sendo assim necessário o uso de conjuntos ou bandas. O desenvolvimento de um blues orquestral teve como consequência imediata disciplinar a forma de tocar altamente irregular dos solistas vindo dos campos, em especial dos guitarristas que pouco a pouco viram-se obrigados a se enquadrar em um formato mais "quadrado", feito principalmente para a dança. São nomes importantes do blues de Memphis os músicos Frank Stokes, Memphis Jug Band, Furry Lewis, Memphis Minnie, Sleepy John Estes.
 

 

O blues de Saint Louis
 
     A cidade de Saint Louis, situada na intersecção do Mississipi com o Missouri, é um importante ponto de contato entre o norte e o sul. Com o fim da Primeira Guerra Mundial houve a aparição de uma importante população negra e de uma rápida industrialização. Foi palco de sangrentos tumultos raciais entre negros e brancos. Ali nasceu um blues muito particular. Música de cabaré e não de rua, o blues de Saint Louis se caracteriza pela afirmação do piano como instrumento dominante, fornecendo um apoio de bases rolantes ou ambulantes que permitiam ao guitarrista improvisar ao longo de uma linha melódica contínua, tocada nota por nota.
     Essa interação entre piano e guitarra teve grande influência no blues de Chicago. Isso aumentou ainda mais por que não haviam estúdios em Saint Louis, obrigando os músicos locais a gravar em Chicago, ali se hospedando, tocando ocasionalmente e em alguns casos ficando de vez. São nomes importantes do blues de Saint Louis os músicos Roosevelt Sykers, Walter Davis, Peetie Wheatstraw, Leroy Carr.

O sucesso deste projeto só se dá graças ao empodeiramento feito pela iniciativa Pulsar da Curadoria Social